Nem toda a cegueira súbita tem a mesma urgência, mas toda cegueira súbita exige um exame Oftalmológico imediato.
Glaucoma agudo: talvez a mais dramática, porque pode causar dor intensa e perda visual rápida. Em raças predispostas, especialmente braquicefálicas, o controle preventivo da pressão intraocular e a avaliação do ângulo iridocorneano ajudam muito.
Descolamento de retina: pode surgir por hipertensão arterial, doença renal, endocrinopatias, inflamações, infecções, trauma ou alterações vítreo-retinianas. Aqui entra muito bem o conceito de “janela do corpo”: o fundo do olho pode revelar doenças sistêmicas silenciosas. Por vezes o risco pode ser detectado e uma terapia a laser pode evitar a cegueira.
SARDs: causa clássica de cegueira súbita em cães, geralmente com pupilas dilatadas e fundo de olho inicialmente pouco alterado. O diagnóstico definitivo costuma depender do ERG; até hoje, não há tratamento comprovadamente eficaz para reverter a cegueira, mas avaliação precoce evita confusão com doenças neurológicas ou outras retinopatias.
Uveítes/retinites/coriorretinites: inflamações intraoculares podem comprometer rapidamente retina, nervo óptico, pressão intraocular e meios transparentes. Muitas vezes estão associadas a doenças infecciosas, imunomediadas ou sistêmicas.
Doenças neurológicas: lesões no nervo óptico, quiasma óptico, trato óptico ou cérebro podem causar perda visual súbita, às vezes com fundo de olho aparentemente normal no início. Nesses casos, ERG, exame neurológico e imagem avançada podem ser decisivos.
PRA: A Atrofia Progressiva da Retina -APR ou PRA não costuma ser súbita; ela é progressiva. Porém, para muitos tutores, a cegueira “aparece de repente”, porque o cão compensou durante meses até perder visão funcional suficiente para começar a esbarrar.
A boa notícia é que existe prevenção para parte importante dessas situações. Exames oftalmológicos periódicos, aferição da pressão intraocular, avaliação do fundo do olho, ERG quando indicado, controle da pressão arterial, investigação de doenças renais, endócrinas e inflamatórias, além do acompanhamento de raças predispostas, permitem detectar alterações antes que a cegueira se torne irreversível. Em oftalmologia veterinária, muitas vezes não tratamos apenas o olho: enxergamos, através dele, sinais importantes da saúde geral do paciente.